Família

Muito tenho ouvido falar sobre a Síndrome do Ninho Vazio, que nada mais é do a fase em que os filhos crescem e vão seguir seus caminhos.  É nessa hora em que se faz valer a nossa realidade mais cruel. É a hora da "verdade", onde percebemos realmente o que fizemos das nossas vidas.  Ouço falar de relatos chorosos e sofridos de mães que se sentem "perdidas", porque fizeram dos filhos a razão das suas vidas, e quando eles crescem, saem de casa, elas se desesperam.  De uma forma geral é sempre a mãe que apresenta mais neura.  Mas analisando bem eu entendo perfeitamente o porque disso.  Somos seres geradores de vidas que saem de dentro de nós.  Mesmo quando os filhos são adotivos, adotamos com o útero, na maior parte dos casos.  Quando criamos nossa família, vamos "parindo" ideais de realizações que por vezes nos frustam em momentos como esses.  É perfeitamente normal encarar o ninho vazio com receio, mas sem neura.
Os filhos um dia vão sair de casa.  O fato incontestável é que criamos os filhos pro mundo. Afinal, seja lá o motivo que os levam a sair, (casamento ou faculdade), ficamos com o sentimento de "de volta ao passado" quando éramos só um casal.  E se a estrutura emocional da pessoa em questão estiver balançada a casa tende a cair.
Sempre fomos uma família de comercial de margarina.  Desde o início do casamento aprendemos a curtir nossos filhos em tudo que fazíamos.  E como todo casal moderno faz com os filhos no mundo de hoje, colocamos eles em incontáveis atividades extra-curriculares, como natação, inglês e informática para o menino, ballet,  jazz, sapateado e inglês para a menina.
 Nossa vida sempre foi movida pela rotina de vida dos nossos filhos.  Tudo começava na parte da manhã levando os filhotes para a escola e ficávamos nos revezando nas atividades que rolavam durante o dia.  São os chamados paistoristas (motoristas de filhos).  Nosso final do dia era esperando o término dos treinos para as competições de natação ou ensaios intermináveis das apresentações de dança.   Nos finais de semana sempre tentamos conciliar as festas de família com as viagens e passeios com os amiguinhos, que carregávamos junto conosco pra onde íamos com nossos filhos.  Com o passar do tempo surgiram os amores, e vamos todos juntos sair também. 
Mas não pensem que fazíamos isso com sacrifício ou reclamando.  Sempre amamos participar da vida deles.  E fazemos questão disso.
Quero deixar claro que a vida do casal não foi esquecida.  Nós sempre procuramos preservar nossos amigos.  Também  tinhamos alguns casais com filhos que eram amigos dos nossos filhos.  Nossa família sempre foi nosso público alvo. Viver em família para nós é como um bálsamo de energia. Rever nossos parentes nos revitaliza.
Mas somos um casal!  Sempre que possível saíamos sozinhos.  Aproveitávamos as saidinhas dos filhotes para namorar e estar sempre redescobrindo um ao outro. Nós nunca podemos esquecer o que somos: mulheres e homens, construindo a vida.  Temos gostos diferentes, e vivemos em geração diferentes dos nossos filhos. Nossas músicas, nossos bares, nossa vida de casal tem que tem uma motivação continua para que se perpetue mesmo com a saída física dos filhos. Sim saída física, porque afinal eles continuarão a ser nossos filhos estejam eles morando aonde for.
 Dessa forma, nossos filhos foram crescendo, o mais velho casou e começou a encher nosso ninho de amor com mais duas netinhas.  Confesso que levei um susto danado quando percebi que o menino que eu gerei estava gerando outras vidas.  É o ciclo de vida se eternizando.
Nossa caçula quase me infartou quando passou pra uma faculdade em outra cidade.
Meu coração gritou:
-"Pane no sistema alguém me desconfigurou!!!
E eu realmente me senti desconfigurada.  Tive que me reprogramar e rever tudo aquilo que eu havia estruturado como vida feliz .  Mas eu estava reclamando do que?  Minha caçula estava apenas seguindo o que sempre ensinamos a ela.  "Filha, estudo em primeiro lugar"!
Ela continua enchendo meus dias de amor e vida, e nos finais de semana meu ninho fica repleto do amor que meus filhos preenchem com seus amores (minha nora e meu genro) e netinhas.
Mais do que nunca entendi a importância que teve eu preservar minha vida, ser uma mulher atualizada, antenada nas mudanças do mundo, cuidar da minha saúde,  ter a minha profissão, minha faculdade, minha crença e meus amigos.  Dessa forma, quando os filhos seguem seus caminhos, quem fica é a mulher,  que contiuna sendo mãe, mas que continua tendo seu espaço e seu lugar no mundo.  Sem estar perdida, e com muito ainda a construir pra si mesma e pra vida das pessoas que a cercam. 




Fica a dica então,
bjs 
by TT.

2 comentários:

♥ Đ€ββΫ ♥ disse...

Lindo e emocionante seu texto,
já tô seguindo, retribui????
Debby Serra/Liga das Blogueiras

http://debby-beleza.blogspot.com.br/

Tereza Telles disse...

Obrigada Debby!! Claro que vou conhecer e seuir vc em seu Blog!! Bjs